A GAROTA DA CAPA VERMELHA

Dir: Catherine Hardwicke

2011,Canadá

Por: Camila Mota

Idade Média ou Idade das Trevas. É assim que se descreve nos livros de história o período em que se situa o filme A garota da capa vermelha, uma época onde seres macabros e tenebrosos escondiam-se nas sombras e apareciam de tempos em tempos para aterrorizar pequenos vilarejos da Inglaterra.

No nosso vilarejo encontramos uma criatura cruel que muitas vezes dizimava famílias inteiras com sua fúria e vontade implacável por sangue e carne fresca. Aqui nós temos um lobo, ou quem sabe uma releitura de um clássico da fábula francesa conhecida por Chapeuzinho vermelho.

Sempre ouvimos quando crianças, de nossas mães, avós, babás, professoras e muitos outros, a velha história de uma bela menina que sempre ia visitar sua vozinha no meio da floresta usando uma bela capa vermelha. Um dia, desobedecendo às ordens da sua mãe, acaba se deparando com um horripilante lobo mau. Essa é só mais uma historinha que contamos para nossos filhos, netos e sobrinhos a fim de que eles durmam e que temam o que pode vir a lhes acontecer, caso desobedeçam às ordens expressas por seus pais.

Porém, meus caros, o que encontramos no filme é uma narrativa muito bem definida e costurada, com pontos em comum entre literatura e cinema, ou seja, temos diálogos muito bem ditos, como no teatro, onde o personagem/ator diz pensando no espectador, se ele entende e como entende aquilo que está sendo falado. As palavras são claras, perceptivelmente ensaiadas, mas conseguem casar muito bem com as imagens belíssimas fornecidas pelo filme.

O filme, construído basicamente em tons de cinza e muito escuro, trabalha ainda com o jogo de sombras, o que nos remete ao Cinema Expressionista, tornando-se assim plasticamente e esteticamente bonito de se assistir, apesar de ter um desfecho um tanto previsível desde o inicio da sua narrativa. Continuando a falar da cor, o que consegue transformar todo esse universo de sombras e escuridão é exatamente a peça chave de toda a história: a capa vermelha. E é exatamente nesse ponto que identificamos o amálgama que liga a história literal com a nova e emocionante vista ali, naquele instante, na tela do cinema.

É um vermelho que se torna vivo e intenso a cada segundo que o filme passa, um vermelho que cresce e se desenvolve junto com a narrativa e o suspense do filme.

Outra coisa que chama bastante a atenção é a trilha sonora. Esperava realmente que a trilha fosse composta por músicas instrumentais e antigas, que remetessem à Idade Média, mas ouvi exatamente o oposto: uma trilha composta por músicas atuais, um rock melódico, meio barulhento às vezes, mas que conseguiu surtir um efeito ainda mais encantador, transformando o conto infantil em uma nova história.

Nessa releitura não temos uma criança que visita sua avó, temos uma jovem que, além de tudo, tem desejos. Ama e quer ser amada, sair daquele vilarejo e mudar de vida, anseios comuns a todos os jovens do ano de 2011. Nós, que sentamos em uma sala de cinema para matarmos o tempo para assistir uma história que há pouco nos amedrontava.

A verdade é que, por mais que neguemos, ainda existem muitos lobos maus por aí. Temos de enfrentá-los e nunca temê-los, pois, às vezes, podem ser aqueles que amamos e, por fim, vão estar ao nosso lado pro que der e vier.

Assim, o filme A garota da capa vermelha consegue nos levar por mais um passeio em uma história que envolve suspense, aventura e amor, conseguindo fazer jovens do mundo todo se identificar com os anseios e necessidades daqueles personagens.

One thought on “A GAROTA DA CAPA VERMELHA

  1. ana carolina ferreira korsch

    Amei o filme,pricipalmente quando o henny (MAX IRONS) apareceu,lindo,lindo…
    Falando serio eu amei o filme por causa do henny,piter,e o lobo….O suspence do fime,e tudo mais..mamei,amei.

    bjs
    (max irons)