CONGADA DE ILHABELA

TV USP LANÇA SÉRIE DOCUMENTAL

 

Por Camila Mota

Olá soldado, estamos na paz do senhor, sabe que hoje é chegado o dia, que havemos de dar principio à entrada naquele reino tão famoso, pois vencemos a batalha do famoso rei de congo” (trecho de música utilizada na Congada de Ilhabela).

Sobre a direção de Eduardo Kishimoto e com o incentivo de produção da USP, a Tv USP lança uma série de documentários sobre a Congada de Ilhabela. A série conta com sete documentários que foram gravados entre 2004 e 2010.

O diretor e a Tv USP acreditam que estes documentários, fruto de muito trabalho e dedicação, devem ser exibidos em todo o território nacional, em Portugal e em alguns países africanos de língua portuguesa, para que sejam utilizados em salas de aula e gerem debates sobre a história da colonização portuguesa, escravidão, cristianização, sincretismo religioso, religiosidade afro-brasileira e festas populares, já que são estes os temas abordados nos sete documentários que compõem a série.

A Congada é uma encenação que normalmente é apresentada em espaços públicos e que acontece desde a época da escravidão. Nesta manifestação identificamos enredos, personagens, recitação, músicas instrumentais e cantadas e, o mais importante, a encenação e a coreografia que dão toda a graça e beleza à manifestação popular.

A Congada de Ilhabela, dentre as Congadas que existem no Brasil, é a única que apresenta o maior texto, tendo em suas apresentações três bailes, que duram cerca de 40 a 60 minutos cada.

Nos sete DVDs (1- Formas do olhar, 2- Vinho e farinha, 3- O retorno, 4- Família congo, 5- Cristãos contra pagãos, 6- Contexto e desterro, 7- Reinados) encontramos de forma bastante destrinchada informações acerca da Congada de Ilhabela. O diretor consegue passar de forma muito expositiva e educativa a tradição e os costumes de um lugar e de seu povo.

A festa, que acontece na 3ª semana de maio, está fortemente ligada à cultura do candomblé e da fé cristã no santo São Benedito que, reza a lenda, era o santo protetor dos escravos que desembarcavam na Ilha.

Dentre os sete DVDs, dois me chamaram bastante atenção. Foram eles: Vinho e farinha, e O retorno. Ambos conquistaram meu olhar pela forma sutil com que perpassam, não só pelo tema principal abordado na coleção, mas outros temas importantes.

Em Vinho e farinha, o diretor entrevista Maria Lúcia Prado, uma das organizadoras da Congada e da Ucharia (almoço que é servido aos Congueiros e Festeiros no dia da festa de São Benedito). Na filmagem, acaba descobrindo que ela, além de organizadora da festa, é também a grande responsável pela reciclagem do lixo na Ilha, um dos principais meios de sobrevivência da população carente de Ilhabela.

Já em O retorno, o diretor entrevista Renivaldo da Silva, um senhor que há 50 anos não visita Ilhabela, porém se dizia nativo da região, neto do primeiro rei que havia levado a Congada para lá. É o DVD com maior riqueza de imagens, pois trata não só do retorno desse homem para sua origem, mas também conta um pouco sobre a travessia, feita através de uma balsa desde o ano de 1957, proporcionando belíssimas imagens da ilha e seu entorno.

Assim, com imagens belas e um olhar refinado, a coleção passa para o espectador um conhecimento bastante aprofundado acerca do tema, revelando mais uma riqueza cultural existente no Brasil, e se transforma em uma peça a ser discutida e estudada por todos que se interessam pela cultura e identidade do nosso país.

 

Camila Mota cursa o sexto período do curso de cinema e audiovisual da UFRB e é bolsista Pibex pela Revista Cinecachoeira

One thought on “CONGADA DE ILHABELA

  1. benedita aparecida pereira de oliveira

    eu benedita aparecida amo demais a dança da congada. Sou devota a são benedito. a minha familia conhece as estorias todas eu fico feliz por a estoria da congada a procissão de são benedito obrigada por manter a tradição.