HESHER

Hesher, 2010
Direção: Spencer Susser

Por Camila Mota

A falta da mãe pode causar diversos distúrbios no ambiente familiar e, principalmente, na vida de uma criança. O filme Hesher trata exatamente desta questão. É interessante ainda, pois apesar de ser um drama, onde questões familiares são abordadas, o diretor cria uma forte ligação, e até mesmo uma homenagem, ao guitarrista da banda Metallica, Cliff Burton, o que diferencia o filme dos dramas que estamos acostumados a ver.

Hesher, um drogado, classificado como sociopata, começa a seguir T.J, menino que acaba de perder a mãe em um acidente de carro no qual estava presente, e que mora com o pai (que se culpa pela morte da esposa) e com a avó, uma senhora alienada e solitária, que apesar de ter o neto e o filho ao seu lado, continua vivendo em um universo paralelo e único de sua mente.

É nesse ambiente completamente abalado e desestruturado que Hesher irá aparecer, primeiramente como um maníaco que segue o garoto para todo lado, mas se determinando-um pouco mais no decorrer da narrativa, como personagem principal, e que está ali para ajudar T.J, mesmo que muitas vezes isso não seja tão aparente. Com o convívio entre os dois personagens, conseguimos então traçar uma relação de amor e ódio desenvolvida conforme os estilos de vida de ambos.

Identificam-se muitas coisas em comum, e fica visível que o que Hesher quer, na verdade, é treinar o garoto para que ele possa se tornar, no futuro,  outro Hesher. A amizade de ambos, muitas vezes parecida com desdém, indica uma significação notória de como provavelmente tenha sido a infância do próprio Hesher, ou seja, um menino solitário, que não tem com quem contar e com uma grande necessidade de encarar as novas descobertas da vida. É inevitável não tentar traçar um perfil psicológico de Hesher, um homem que se apresenta com uma personalidade imbatível, para quem não há situação ruim que não possa ser resolvida com um pouco de álcool na cabeça e adrenalina no sangue, um homem totalmente sem escrúpulos,  mas com coração, um forte e determinado coração.

Fugindo um pouco, da questão dramática do filme, não posso deixar de citar seus planos magníficos. O diretor utiliza bastante planos-sequencias, o que cria uma atmosfera completamente compatível com o drama estabelecido, causando um impacto muito forte no espectador, colaborado por uma trilha sonora feita pela banda Metallica, na verdade muito bem construída e influenciadora no próprio corpo do filme.

Hesher  é, assim, um filme dramático, que foge do modelo a que estamos acostumados, sendo muitas vezes nostálgico e ao mesmo tempo atual. Não aceitável para muitos, mas causador de um grande impacto em quem o assiste.

 

2 thoughts on “HESHER

  1. ruth

    Muito legal seu texto. Vai enriquecer minha fascinação que tenho por esse filme. Destaque também para a interpretação dos atores. Todos estão maravilhosos, mas o Gordon-levitt já é um grande nome com esse personagem.

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