COBERTURA PANORAMA – ANIMAÇÕES DE PESO: SESSÃO ANIMAGE I (IX Panorama)

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Por João Marciano Neto

 A animação sempre foi um formato comumente associado ao público infantil, e um de seus desafios tem sido mudar esta visão precipitada. Na primeira Sessão Animage do IX Panorama há uma ruptura deste conceito com curtas realmente impressionantes e, por assim dizer, não tão infantis e inocentes quanto se poderia imaginar. Algumas crianças  estavam presentes no auditório do CAHL ( Centro de Artes, Humanidades e Letras) e, enquanto os filmes mais pesados eram exibidos, não pude deixar de rapidamente tentar observar como elas e seus pais se portavam. Infelizmente não pude saciar minha curiosidade, mas, enquanto assistia aos curtas metragens, imaginava suas expressões diante do impacto de algumas cenas. Não me sentia totalmente incomodado, apenas curioso.

Claro que houve animações mais leves, como The Kiosk, de Anete Melece, Choir Tuor, de Edmund Jansons, e Moya Mama Samolet, de Julia Aronova. Aliás, dentre estes que acabo de mencionar, o russo Moya Mama Samolet (Minha Mãe Avião) acaba se sobressaindo positivamente, com seu traço pueril, linguagem lúdica e uma narrativa suave que realmente consegue atingir tanto o público adulto quanto o propriamente infantil, para o qual se presume ter sido feito.  A simplicidade encanta como se fosse uma adaptação de um poema ou livro que se tem contato quando em fase de alfabetização. Não sou do tipo que se comove com animações, mas não posso negar que me encantei com sinceridade pelo filme, mesmo não sendo o que mais se destacou em toda a sessão.

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The Kiosk

As produções mais sérias e um pouco mais densas, mas não menos divertidas, exibidas foram Driffters, de Ethan Clarke, Autor du Lac, de Carlos Roosens, Fight, de Steven Subtonick, Plug & Play, de Michel Frei, e o brasileiro Faroeste, um autêntico western, de Wesley Rodrigues. Tanto Fight e Autor du Lac me frustraram pelo simples fato de não conseguir compreender seu propósito ou objetivo, e dentre as dez animações que foram expostas, estas ficaram um tanto deslocadas e cansativas. Porém, a animação mais extensa se provou muito divertida e impressionante, além de ser justamente a brasileira. Faroeste, um Autêntico Western faz jus ao nome ao narrar a origem e o fim de um terrível urubu pistoleiro que realiza uma chacina por onde passa. Animação com poucas falas e, mesmo brincando com um gênero tipicamente norte americano, destaca elementos nacionais em sua narrativa.

Faroeste, um Autêntico Western tem uma narrativa que me remeteu às histórias de cordel, distribuídas nas festas juninas, além de possuir uma forte influência das fábulas e fazer referência a outras obras, como ao filme Os Sete Samurais, clássico do diretor Akira Kurosawa. Não posso negar que me impressionei com a qualidade da animação, cujos traços, um tanto mutáveis, tornavam os personagens um pouco indefinidos, dependendo da ação. Com certeza foi um dos pontos altos da sessão, mas ainda houve um curta metragem que me surpreendeu muito mais.

Por fim, os mais pesados foram Rabbitland, de Ana Nedeljkovic e Nikola Majdak Jr, e Sangre de Unicornio, de Alberto Vasquez. O primeiro, animação da Sérvia, cuja produção cinematográfica só conheço Terror Sem Limites, possui um visual degradante e um teor crítico de denúncia muito severo que dificilmente passa sem ser notado. Porém, o grande destaque da Sessão Animage I foi o controverso e provocativo Sangre de Unicornio, animação espanhola que se mostrou a mais ousada e esteticamente a mais agressiva, tomando para si uma grande quantidade de elementos do gênero terror e uma tensão constante. Não é por menos que eu a adorei, já que sou assumidamente um entusiasta deste gênero considerado macabro. Aliás, chego a ter um apego especial por filmes de terror produzidos na Espanha, o que deve ter influenciado na minha quase imediata boa recepção desta obra.

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Sangre de Unicornio

Sangre de Unicornio foi justamente a segunda animação a ser exibida, e, até que Faroeste, um Autêntico Western fosse projetado, as demais animações não conseguiram despertar tanto meu interesse. Foi justamente com esta animação que fiquei tentado a visualizar a reação das crianças presentes, pois certamente aquela foi a produção mais adulta exibida na sessão. Pelo horário em que esta mostra de curtas começou, sete horas da noite, ainda não havia jantado nem lanchado nada, não estava tão entusiasmado, mas bastou ver Sangre de Unicornio para que recebesse o gás necessário. Esqueci o cansaço e o aperto no estômago. A cada sessão que assisto, mais sou surpreendido pela seleção apresentada pelo evento.

 

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