300: A ASCENSÃO DO IMPÉRIO

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Por João Marciano

Você com certeza já assistiu 300. Não adianta tentar negar, você JÁ assistiu 300, e mais de uma vez. Como todo filme se destaca na bilheteria e se torna imensamente popular, Hollywood vê logo mais uma chance de lucrar mais alguns milhões e lança uma sequência. A guerra gregos contra persas realmente tem muito material para ser aproveitado, assim como os quadrinhos de Frank Miller, que dramatizam e recontam o feito, apresentam muita coisa a ser a explorada, mas 300: a Ascensão do Império acaba não sendo tão bom quanto o seu antecessor justamente pelo seu enredo mal trabalhado, ou melhor, “carente de espartanos”. Não digo que os atenienses são inferiores ou menos interessantes do que os espartanos, mas sim que o foco acaba não sendo tanto o herói Temístocles, nem tanto a vilã interpretada pela Eva Green. Praticamente, até mesmo o “grande Xerxes” (a quem o filme dedica uma considerável parte para contar sua origem) acaba sendo deixado de lado.

Contando um pouco do antes, durante e depois dos eventos de 300, o filme consegue manter quase todos os mesmos acertos e erros de produção que o primeiro em termos de fotografia. São perceptíveis alterações tais como o uso um pouco menos abusivo do slow motion (pouca coisa) e as batalhas não tão exaltadas. Aliás, assistindo ao filme já logo se pensa que Snyder retomou a direção, mas não. Dessa vez ele é o produto, porém, nota-se que Noam Murro (um diretor ainda iniciante) foi escolhido quase que simbolicamente porque 300: a Ascensão do Império tem a marca de Snyder na montagem e no tratamento de pós do começo ao fim. Não duvido que Noam não tenha tido muita liberdade, ainda mais com uma trama um tanto fraca e menos envolvente. Francamente, este filme é uma sequência visivelmente desnecessária.

As atuações não são tão ruins quanto se pode supor, mas deixar o filme todo na lembrança de 300 e nas costas de Sullivan Stapleton e Eva Green? Gerard Butler já conseguiu carregar alguns filmes, é um ator que tem grande respeito e reconhecimento do público, apesar de alguns papéis menos populares, mas o personagem de Stapleton não é tão convincente e a Eva Green está mais para um rosto bonito do que para uma grande atriz. Não pretendo minimizar a importância do elenco, até porque temos alguns bons momentos de interpretação, mas a narrativa não os favorece em nada, contando inclusive com Rodrigo Santoro. Mesmo com os atenienses realizando atos igualmente corajosos e até fazendo sacrifícios bem maiores na trama, inúmeras vezes é apresentada uma carência, uma necessidade incômoda dos espartanos, como se eles continuassem realmente sendo os principais. 300: a Ascensão do Império está mais para uma história paralela, presa demais ao “enquanto isso”, ao invés de possuir autossuficiência.

Visualmente esplêndido, sem chegar a ser de fato inovador. Não há dúvidas quanto a vir a ser um dos favoritos, porém deixando a desejar até mesmo nas sequências de ação (que incluem as batalhas marítimas de grande potencial), elas não se revelam exuberantes quanto poderiam. Mutilações, projéteis sendo atirados, slow motion e um fundo musical não são o bastante para que qualquer cena de combate seja épica, pois se fossem salvariam os filmes dos Transformers. A ideia poderia dar certo, entretanto, como já era de se esperar, o resultado final de 300: a Ascensão do Império não chega perto da qualidade do antecessor e seguirá na sombra do primeiro 300 até, se realmente acontecer, cair no esquecimento.

 

 

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