JOGOS VORAZES – A ESPERANÇA PARTE 1

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Por Thainá Dayube

Com adaptação de Peter Craig e Danny Strong a partir do último livro da trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, essa primeira parte de A Esperança opta por explicitar mais os conflitos internos de Katniss e a base que vem sendo preparada no Distrito 13, que tem Alma Coin como presidenta e Plutarco Heavensbee como seu assessor, para organizar a luta contra o presidente Snow e a Capital. Diferentemente dos dois anteriores, o terceiro filme da sequência vem como um filme mais lento e reflexivo.

O público alvo da produção são os adolescentes, mas, mesmo assim, A Esperança não teve em seu roteiro prioridade para as grandes cenas de ação, com Katniss bancando a heroína derrotando a Capital. Seguindo outro caminho, a produção opta por mostrar uma Katniss sendo projetada como heroína e não de fato como uma. Durante todo o filme, ela sai para gravar takes em lugares destruídos pelos ataques de Snow e enviar sua mensagem ao povo de Panem, assim dando início a um interessante guerra midiática entre Snow e Coin. Podemos notar a ruptura que o filme busca fazer entre propaganda e realidade, enquanto as falas espontâneas de Katniss são logo transformadas em slogans que passam a ser repetidos continuamente pelos rebeldes (“If we burn, you burn whit us”), os discursos fortes, encorajadores e com uma pitada de carisma, da presidenta Coin se revelam como uma construção minuciosamente preparada pelo seu assessor Plutarco.

Assim, Jogos Vorazes mostra seu diferencial em relação as outras histórias voltadas para os adolescentes, se mostrando bastante relevante, explorando além de romances clichês e mocinhas e mocinhos batidos, apresentando ideias complexas, abordadas com seriedade na narrativa. As atuações também são outro ponto positivo a ressaltar, Jennifer Lawrence se mostra impecável, conseguindo transmitir muito bem o desconforto da personagem por estar sendo usada pelos líderes da revolução como “garota-propaganda”, mesmo sendo a favor da causa. Não só a protagonista recebe devida atenção em relação ao desenvolvimento do seu personagem, o longa trás igual atenção também aos personagens secundários, como Coin e Plutarco.

É interessante notar como o diretor (Francis Lawrence) conseguiu dar um tom quase calmo a narrativa, as cenas de ação não faltam, é claro, quando por exemplo, Katniss vai visitar sobreviventes em um hospital improvisado e Snow manda atacá-los, temos uma boa sequência de ação, com explosões e com Katniss finalmente usando suas flechas explosivas, destaque para a forma como o Lawrence consegue construir muito bem essas cenas de tensão e perseguição, com uma câmera que segue a correria dos personagens, dando um bom dinamismo a cena . Mas, ainda assim, em meio a tensão, os personagens possuem momentos de conversar sobre seus sentimentos ou que simplesmente sentem para descansar enquanto observam um riacho. É interessante também reparar nas cores usadas nesse filme, que teve os tons cinzas e pastéis explorados, tendo como resultado uma fotografia mais sombria, se contrapondo ao colorido dos anteriores da franquia.

Sendo assim, A Esperança – Parte 1 se mostra como um filme satisfatório, com uma narrativa eficiente, deixando uma boa análise sobre a frieza e o poder da mídia sobre as pessoas e a sociedade no geral, se revelando inteligente, complexo e sem dúvida alguma, atual.

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