BRILHANTE FUTEBOL CLUBE

brilhante Futebol Clube

Por Melissa Silsame

Essa série “brilhante” quase passa em branco por ter sido exibida em meio há tantas outras séries estrangeiras. Veiculada na TV Brasil, TV Cultura e no canal fechado Nickelodeon (sendo uma co-produção das três emissoras) Brilhante Futebol Clube é o nome de um time de futebol formado apenas por meninas.

A trama é destinada ao publico pré-adolescente e se passa na cidade interiorana de Santa Rita do Sapucaí (MG), onde um grupo de amigas que tem em comum a paixão pela bola forma uma equipe para competir com outros times de futebol feminino da região.

Séries como essa são importantíssimas, principalmente no Brasil. Colocando como personagens centrais meninas jogadoras de futebol, quebram o estereótipo ainda presente na sociedade de que o esporte é “coisa de homem”.

Pelo publico alvo ser mais jovem, o assunto ajuda a criar o ambiente para se debater sobre a igualdade de gênero, que, infelizmente, ainda está longe de ser um dado concreto em nosso país.

Quão grande é a satisfação ao ver um produto de qualidade com um tema diferenciado produzido no Brasil, competindo com inúmeras séries estrangeiras de mesmo perfil que ocupam a programação diária da televisão. Podemos criar laços maiores com as personagens por sua condição humilde, as gírias próprias da juventude e o ambiente da rua e da escola. E quase a sensação de entrar no quarto pra espiar a conversa de uma das meninas.

De resto, a série não traz muito mais novidades do que outras destinadas a esse mesmo publico, como Julie e os fantasmas. As meninas Rita, Jessy, Raquel, Formiga passam por problemas comuns ao mundo juvenil, como o primeiro namorado, pais superprotetores, recém-separados, etc. Assemelha-se muito às séries do Disney Channel, que acompanham o cotidiano de uma banda de música, a paixão pela escola, a megera fútil sempre a conspirar. O que prevalece em comum é a amizade das meninas e sua união como time.

Apesar de não inovar em termo de dramaturgia, Brilhante Futebol Clube ainda é um avanço para nossa produção audiovisual, beneficiada com um produto que cria as condições para que mais realizadores apostem no promissor mercado das séries. Talvez não tenha tido o destaque que merece por não possuir uma premissa tão ambiciosa para chegar ao grande público. Ou até mesmo não esteja no perfil dessas redes pela simplicidade ou ate mesmo pelo tema. Ou futebol é só coisa de menino?

Com certeza não. Assim, esperamos que no futuro possamos nos reconhecer mais nas telas através das séries nacionais, e especialmente os mais jovens (se ainda não cansaram de ver Malhação) verem aumentadas suas possibilidades de escolha ao ter um cardápio maior de produtos com essas características.

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