COBERTURA – 48 FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO

MOSTRA COMPETITIVA – TERCEIRO DIA

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Por Rafael Beck Andrade

 

Na noite de sexta-feira (18), a Mostra Competitiva de Filmes em curta, média ou longa metragem apresentou três filmes bastante distintos: Cidade Nova, de Diego Hoefel, Copyleft, de Rodrigo Carneiro, e Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba.

Um jovem volta à região de sua cidade natal no interior do Ceará. A cidade, agora, está inundada, apenas com parte dos postes para fora da água. Ao lado do local, uma nova cidade foi erguida e é onde o rapaz terá de enfrentar passado, presente e futuro. Cidade Nova tem uma fotografia espetacular que ganha o espectador logo no primeiro plano do filme, onde o protagonista e outro jovem observam a “cidade velha”, agora submersa. O diálogo carregado de nostalgia e humor negro deixa o espectador bastante curioso com o restante do filme. Apesar de a fotografia e a mixagem de som permanecerem ótimas, o enredo envolve pouco o espectador à medida que não há tempo para desenvolver o personagem e suas relações, e o que sobra é um homem perdido, sem rumo. A história e os questionamentos do jovem poderiam ser melhor desenvolvidos.

Com uma proposta corajosa e bastante ousada, Copyleft conta a história de um jovem homossexual que tem medo de ser quem é e acaba tentando a “cura” em um gel para a masculinidade. Outro filme com fotografia interessante, que prioriza os tons pasteis e planos fixos, e com mixagem de som de qualidade, o filme ainda conta com animações curiosas e uma montagem que mistura a história de Pedro, o protagonista, com divagações interessantes sobre a homofobia e suas consequências. A interpretação do protagonista, por vezes é bastante exagerada e, mesmo que seja intencional para chamar mais a atenção para a causa, incomoda. Apesar do fato de que falar sobre a homofobia e suas consequências seja uma urgência, o filme exagera um pouco e, em alguns momentos, cai no erro de defender, sobretudo, homens homossexuais, travestis e mulheres transexuais e esquece de incluir as mulheres homossexuais ou homens transexuais no discurso.

Para a Minha Amada Morta conta a história de um homem, pai de um garotinho, que fica viúvo da mulher que amava. Assistindo a algumas fitas VHS que a esposa guardava no escritório onde trabalhava, descobre que ela mantinha um caso extraconjugal com outro homem. Desesperado, ele decide ir atrás do amante e de sua família. O enredo do longa da noite não é algo muito novo para nenhum espectador ligado, especialmente, em filmes americanos do gênero. A forma como Aly Muritiba conta esta história, entretanto, é incrível. Com uma fotografia que lembra bastante as séries americanas que estão em alta no momento e que são um novo conceito apropriado pela televisão brasileira e pelo cinema mundial, o filme conta com planos longos (alguns com vários minutos de duração) com grande carga dramática, onde os atores revelam todo seu potencial sem que os cortes quebrem a grandiosidade de suas interpretações e da direção de Muritiba.

Além da imagem proporcionada pela câmera, pelos atores e pela mise en scène conduzida por Aly Muritiba ser excelente, o filme possui qualidade sonora impecável. Segundo o próprio diretor, o design de som foi realizado por um amigo músico que está com ele desde seu primeiro filme. A edição e a mixagem de som também não fogem dessa qualidade técnica que pode ser conferida na grande maioria dos trabalhos do cineasta. Tudo isso, aliado a uma trilha sonora impactante e que não se sobressai em momento algum, cria uma tensão e uma expectativa sobre cada cena e sobre as cenas que virão após aquela. E, sem dúvida, o elenco, protagonizado por Fernando Alves Pinto, Mayana Neiva e Lourinelson Vladmir, contribui com suas interpretações realistas e que também se mantem em um nível sempre muito equilibrado. Com tamanha qualidade técnica, o que será revela no desfecho do longa, sem dúvidas, é o grande trunfo para prender o espectador, mas não é o único.

Diferente das noites anteriores do Festival, onde os filmes selecionados tinham histórias inteligentes que tinham crianças como pontos de vistas (na quarta-feira) e filmes que incomodavam o espectador de diferentes formas (na quinta-feira), os filmes apresentados no terceiro dia da Mostra Competitiva de filmes do Festival possuem em comum uma fotografia exuberante e uma qualidade sonora inquestionáveis. Cada um deles aborda temas muito diferentes, apesar de os três terem homens confusos e cheios de questionamentos sobre a vida como centro das histórias. Com reações diversas do público e bastante expressivas, especialmente em relação aos dois últimos filmes, a quarta noite do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro mostrou que o evento ainda tem muito o que surpreender.

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