COBERTURA CACHOEIRA DOC

MOSTRA COMPETITIVA

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Por Melissa Silsame

No caminho com Mário/ O mar, a mata e a humanidade/ Urihi Haromatipë: Curadores da Terra-floresta

É mais do que uma honra estar presente em mais um dia desse festival que carrega uma energia tão intensa quanto a experiência de chegar a Cachoeira pela primeira vez. A quantidade de pessoas a lotar as sessões traz ainda um calor maior para a mostra competitiva nacional que, além de surpreender, nos transportam para outras realidades secretas e antes desconhecidas. Um dia rico com mesa de discussão, lançamento do livro Doméstica, organizado por Victor Guimarães, e a continuação da mostra nacional nos surpreendeu muito sendo difícil escolher um favorito.

Na sessão da tarde tivemos os filmes No caminho com Mário , O mar, a mata e a humanidade e o longa Urihi Haromatipë: Curadores da Terra-floresta. Uma sessão carregada de espiritualidade e tradições que parecem permanecer ocultas para nós, fazendo com que nos sintamos intrusos em meio à comunidade indígena que traz obras ilustrativas de algo tão íntimo como rituais xamanistas.

Seja entrando no cotidiano do garoto Mauro, ou vendo a representação de uma cerimônia de uma unidade a qual não pertencemos, é recorrente a sensação de transporte para o mundo com o qual aqueles xamãs estão se comunicando. O mundo dos espíritos abre suas portas para que possamos entrar em transe e nos sentir mais conectados à cultura Yanomami, assim como à comunidade que “veio do mar” mas não o frequenta.

A curadoria reuniu uma porta para locais que preferimos esquecer ou pensamos ter uma ideia de que é subdesenvolvido demais para nós, mas que na verdade está tão ou mais avançado de conhecimentos como os “civilizados” da cidade. “São filmes feitos Yanomami e para os Yanomami”, como disse Morzaniel Iramari Yanomami, o diretor de Urihi Haromatipë.

Aqui está a preservação de sua memória, sua história e tradição, convivendo com um mundo que quer esmagá-los e lhes empurrar Coca-colas e Iphones. Aqui ainda há resistência e memória do passado, a preservação de sua identidade. Estando diretamente relacionada com a sessão da primeira mostra competitiva do dia, a conferência Métodos e processos de formação: as oficinas nas periferias, comunidades tradicionais e territórios indígenas, ocorrida nessa mesma manhã, ajudou ainda a encorpar as discussões em torno da interação audiovisual e troca de conhecimento entre realizadores e indígenas sem com isso impor a assimilação, mesmo que inconsciente, de outra cultura dominante.

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