Depois de seis meses de existência, Cinecachoeira só tem o que comemorar. Em pouco tempo conseguimos atrair um número significativo de estudantes para a crítica cinematográfica, conquistamos o respeito dos profissionais do audiovisual baiano e cativamos os leitores interessados em cinema na web. Já caminhamos para os trinta mil acessos. Nosso desafio agora é continuar elaborando nosso perfil e estilo de divulgar o cinema brasileiro, unindo a leveza de textos críticos com o rigor acadêmico, entendendo a internet como um meio privilegiado para conjugar novas formas de expressão com nossas tradições mais caras.  E se depender deste número 2, continuaremos por este caminho. Nele, finalizamos o dossiê sobre o cinema baiano homenageando um dos atores mais carismáticos de nossa cinematografia: Antônio Pitanga.

Dentre os atores que ajudaram a compor o que hoje se entende por “cinema baiano”, o nome de Antônio Sampaio/Pitanga destaca-se por sua onipresença. Estrela de vários filmes originários do Ciclo do Cinema Baiano, exaustivamente analisados pelas edições da revista Cinecachoeira, tornou-se um ator símbolo ao multiplicar sua imagem energética em obras posteriores do Cinema Novo como Ganga Zumba e A grande cidade, de Cacá Diegues.

E é, justamente, nas palavras do próprio diretor que o jeito “marrento” do artista baiano aparece com maior fulgor, no artigo intitulado O rosto do cinema brasileiro, escrito especialmente para homenageá-lo. Nele, Diegues mostra um pouco da longa amizade e admiração polida em inúmeros trabalhos conjuntos. Comparece também à justa homenagem a pesquisadora Maria do Socorro Carvalho, analisando as três personagens – Pitanga, Firmino e Chico Diabo – criadas pela matriz popular fixada nas telas pelo intérprete baiano. Por fim, a entrevista exclusiva de Antônio Pitanga para Cinecachoeira junta-se ao conjunto de textos do dossiê realizados para celebrar a história e a vida do ator.

Seguindo com o dossiê especial sobre o cinema na Bahia, temos ainda textos sobre temas variados. O pesquisador Tunico Amâncio faz uma viagem pelo mundo dos estereótipos, onde revela o olhar dos cineastas estrangeiros em Yes, oui, Bahia – marcas identitárias nas telas estrangeiras de ficção. Guilherme Sarmiento faz um estudo sobre Jorge Amado no cinema baiano em Matinês com Jorge Amado. Laura Bezerra analisa as condições dos arquivos em Bahia, cinema e memória. Marcelo Matos desenvolve uma análise lúdica dobre os dois longas de Edgard Navarro em O que há entre SuperOutro e Eu Me Lembro.

Dentre os autores que se destacam nesta edição temos, além de Antônio Pitanga, o nome de Olney São Paulo, que se presentifica em duas seções da revista. Em uma análise publicada na seção Dossiê sobre Manhã cinzenta, realizada por Maria David Santos, e em um artigo, na verdade o prefácio de uma futura publicação sobre o diretor baiano, escrito por Cláudio Novaes e Mírian Sumica, ambos trabalhos do projeto desenvolvido no Núcleo de Estudos em Literatura e Cinema, da UEFS, liderado pelo mesmo professor Cláudio Novaes.

O cinema baiano continua inspirando textos publicados em outras seções da revista. Em Antes da tela, publicamos na íntegra o roteiro de O anjo negro, gentilmente cedido por José Umberto. E na Alguém viu? buscamos a memória do curta perdido de Glauber Rocha, A cruz na praça.

Outros destaques desta edição são o texto de Eduardo Subirats, importante nome dos estudos culturais contemporâneos, em castelhano, sobre o Gozo do totalitarismo em Saló, ou os 120 dias de Gomorra, do diretor Pier Paolo Pasolini, e a colaboração não menos especial dos alunos com seus textos espalhados nas várias seções da revista. Destaco aqui a bela análise de Emerson Dias sobre o uso da cor no filme Cidade baixa, publicada na seção dossiê. A cobertura do 6 Festival de Cinema de Ouro Preto realizado pela Professora Cyntia Nogueira encerra o segundo número de nossa revista.

Gostaria de agradecer à prefeitura de Cachoeira, a PROPAAE, A Fundação Casa de Jorge Amado, Cesar Velame, José Umberto, Carlos Diegues, Oscar Santana, Cláudio Manoel, Cícero Bathomarco, Roberto Duarte, e a todos que, com os grandes ou pequenos gestos, nos ajuda a seguir em frente.

Boa leitura!