Este novo número de Cinecachoeira traz muitas novidades. Uma delas, e certamente a mais fundamental para definir seu perfil, foi dividir a condução da orquestra com o professor e amigo Guilherme Maia. Chamá-lo para pensar e conduzir este dossiê sobre cinema e música resultou em um grande acerto, já que possui qualidades que ajudaram a equilibrar o rigor da pesquisa acadêmica com o relato emocional, ensaístico ou memorialístico, um dos objetivos da revista desde suas origens. Guilherme transita com facilidade entre dois mundos: compositor e instrumentista de reconhecida competência no universo da música popular, hoje desenvolve com a mesma qualidade projetos acadêmicos que o tornam um respeitado estudioso e um professor cujo entusiasmo contagia alunos e colegas de profissão. Através dele, a publicação estendeu seus braços: será lançada na UFRB e na UFBA. Vida longa a esta parceria!

Também demos prosseguimento às ações, iniciadas no semestre anterior, para que a revista tenha mais informação audiovisual, aproveitando-se das possibilidades da plataforma WordPress para efetivá-la como um produto multimídia.  Vários dos artigos estão acompanhados por vídeos  linkados com youtube e o vimeo. No caso de Nanook ensemble realizamos o trabalho de sincronia entre som e  imagem e postamos o produto especialmente para ilustrar o texto. Ainda falta muito para concluir este processo, mas o caminho já está aberto. Nosso desejo é que a publicação, além dos artigos escritos, abra-se para a elaboração de filmes-ensaio, pesquisas audiovisuais reflexivas de um pensamento imagem. Acreditamos que este projeto será brevemente concluído, pois é notável o aumento do interesse dos alunos de cinema da UFRB pela revista, participando ativamente das pesquisas que resultaram no dossiê e escrevendo artigos para esta nova edição.

Todo este empenho só vislumbrado por quem viveu o dia-a-dia da criação de mais uma edição de Cinecachoeira refletiu-se em sua qualidade, de modo que seus leitores irão acessar um número cheio de atrativos. O primeiro deles: uma homenagem, dentro do dossiê, ao compositor, crítico de cinema e diretor bissexto Caetano Veloso. Abordar a obra de um de nossos grandes músicos populares a partir desta perspectiva serviu para mostrar uma presença viva e multifacetada dentro do espectro cinematográfico brasileiro. Isto pode ser constatado nos três artigos confeccionados especialmente para este número. Em A claquete musical de Caetano Veloso, Fred Goes analisa canções como Alegria, alegria, dentre outras, destacando a qualidade cinemática da lírica velosiana; Guilherme Maia revela o lado trilheiro do artista baiano em Canto sem palavras, a música de São Bernardo, onde tem ressaltada sua expressividade como compositor para filmes; sua competência criativa na direção é medida em O cinema falado – tratado de verborragia, escrito por Guilherme Sarmiento; por fim, uma entrevista inédita e exclusiva do autor para nossa revista fecha com chave de ouro o especial deste número.

Mas a revista não fica por aí. A partir de sua vasta experiência na composição de música para filmes e comerciais, Fernando Moura realiza um vívido e extraordinário relato em Memórias de um compositor – o mundo encantado e a vida real na criação de trilhas sonoras; seguindo por este caminho, mas fornecendo uma visão de dentro da orquestra no momento da execução de uma trilha, Cláudio Seixas nos surpreende com Nanook Ensemble, por dentro da orquestra; o professor Cláudio Manoel Duarte revela sua experiência em um projeto pioneiro na região, que valoriza a promoção dos artistas locais, em Videoclipe no Recôncavo.

Abrindo-se para a elaboração de estudos abordando cineastas e artistas estrangeiros, temos ainda a publicação de dois artigos com um perfil mais acadêmico. Tratando o universo do movimento punk, a partir de uma abordagem histórica e estética, Gabriela Machado observa a montagem do documentário de Julien Temple, em Cinema punk – arquivo, montagem e estética em O lixo e a fúria; já Rodrigo Ribeiro Barreto destaca a colaboração artística entre a diretora Annie Lennox e a cantora Sophie Müller numa série de videoclipes, a partir de uma perspectiva dos estudos de gênero, no artigo Parceria videoclípica: Annie Lennox e Sophie Müller. Por fim, o artigo do aluno Emerson Santos descortina as relações entre som e imagem no primeiro cinema em A musicalidade visual – a expressão do som no cinema mudo.

Neste número temos ainda publicações postadas em outras seções da revista. Em Artigos, Cecília Nazaré de Lima mostra o pioneirismo na utilização do som nos filmes de um dos cineastas brasileiros mais internacionais em Alberto Cavalcanti e a expressividade dos ruídos; o aluno Rafael Rauedys constrói uma interessante ponte entre dois filmes equidistantes em Visões da margem – Copacabana mon amour e O som ao redor. Por fim, na seção Alguém viu?, Camila Mota investiga o desaparecimento de um filme dirigido por Roberto Pires na década de 1960, em Crime no Sacopã – filme perdido ou escondido?\r\n\r\nNão poderíamos encerrar este editorial sem prestar os devidos agradecimentos a Juliana Barreto Farias, Radha Barcelos, Jorge Veloso, Guilherme Maia, Cesar Velame, Laís Lima, Gleydson Públio, Caetano Veloso e a todos as pessoas que tornaram mais este número uma realidade a ser lida.

Obrigado!